O Holocausto Silencioso em Angola

Buagica Mambelo
Do Conselho Editorial da Muangolê Notícias (http://www.mnoticias.8m.com/saude_01.htm)

Estamos diante de um verdadeiro flagelo de amplitude mundial, que coloca em risco a saúde do povo angolano e trás sérios danos à vida das famílias ou aos consumidores em geral, que é a comercialização das drogas, “medicamentos para fins terapêuticos”, nos mercados populares de Angola, em especial Luanda.

Hoje ser angolano é uma questão de muita questionabilidade e leva-nos a fazer a seguinte indagação: Quem cuida da nossa saúde? Como cuida? Como é vista a inclusão da população menos favorecida no sistema de saúde e especialmente na distribuição de medicamentos, isto é, assistência medicamentosa, ou seja, a inclusão de todo povo num sistema nacional digno de saúde para toda nação.

Todavia o que leva-nos a fazer esta matéria é a lamentável e vergonhosa forma na qual os medicamentos em geral, são comercializados nos mercados de Angola, principalmente no ” Roque Santeiro ” e nos ” Kwanzas “, a nossa indignação reside no fato de que sob olhar, não só do ministro, mas de todo aparelho ministerial assiste-se à atos de abandono total de todos mecanismos, medidas e formas de assegurar o bem-estar da população, proporcionando-os o legítimo direito à saúde.

Propomos que se não houver competência e sensibilidade humana, para dirigir este aparelho de grande valia para a nação angolana, que peçam demissão e o fechamento ou extinção deste ministério, para que se possa criar, comissões ou conselhos emergenciais que sob a sua tutela, realizem as mudanças que se pensavam para Angola, neste domínio após proclamação da independência.

Por outro lado, as recentes ocorrências relacionadas à falsificação de medicamentos, vêm abalando não apenas os países onde importa-se remédios, mas toda Angola, isto porque as grandes indústrias nunca ou jamais poderão se responsabilizar a indenizar um angolano sequer, por falta de controle ou transparência na compra por nossa parte de medicamentos, sem saber das exigências legais para a sua obtenção.

Vale ressaltar a necessidade de se resgatar junto à sociedade, o papel do profissional farmacêutico para a preservação da saúde pública.

Para que tenhamos profissionais competentes e comprometidos eticamente com os usuários de medicamentos, é vital que o farmacêutico tenha claro, as diversas normas que regulamentam a profissão e chamar a responsabilidade farmacêutica a si, para uma orientação e efetiva prestação de assistência frente a estes questionamentos que, muitas vezes, partem de pessoas leigas que desconhecem a sua formação.

Neste momento é de fundamental importância que o farmacêutico mantenha-se atualizado tecnicamente, buscando valorizar ainda mais seu conhecimento e ideal, pois somente capacitando angolanos e criando conselho de vigilância sanitária, é que estaremos informando e esclarecendo a população para evitar comprar remédios nas “praças” e faze-lo nas farmácias, por mais que custe um pouco ao seu bolso, pois estará evitando graves problemas e riscos à saúde.

Mas afinal, para que nos serve farmacêuticos? Por que não comprar no Roque, se é mais barato? Primeiramente, gostaria de deixar claro, quanto à importância deste profissional.

O farmacêutico é o único profissional que detém formação técnica e habilitação para responder pela fabricação, manipulação, comercialização e controle dos medicamentos e ajudar a população.

Por que não comprar no Roque, se é mais barato? Eis a questão.

Sensível a esta necessidade, gostaríamos desde já, de alertar sobre a importância de formar um órgão eficiente de vigilância sanitária, que entende-se como um conjunto de ações capaz de eliminar, diminuir ou prevenir riscos à saúde e intervir nos problemas sanitários decorrentes do meio ambiente, da produção e circulação de bens e da prestação de serviços de interesse à saúde.

O Roque Santeiro e outros mercados não são sanitariamente viáveis à comercialização de medicamentos, isto porque o Ministério da Saúde, que é o órgão que faz “escapar” os remédios para os mercados, está ciente disto. Por isso é que pede-se, a extinção deste organismo governamental, que direta ou indiretamente “mata” aquele povo.

Mas creio estar, a partir de agora de cabeça para baixo, face a esta acomodação mental, como dizia um jornalista de grande expressão nacional. Sabendo que o comércio, a distribuição, a importação ou exportação de drogas, medicamentos, insumos farmacêuticos e correlatos será exercido somente por empresas e estabelecimentos licenciados pelo órgão competente do governo, como é possível que sob o olhar do Ministério aceita-se vender remédios sem saber, qual a origem dos medicamentos, tempo de validade, se foram ou não submetidos a controle de qualidade, inspeção de qualidade, estocagem, número de lote. Estes aspectos são de grande valia para saber se, por exemplo, o caso de medicamentos termolábeis, aqueles que não podem sofrer alteração de temperatura. É fácil identificar neste contentor de lixo que é o Roque, se o medicamento está impróprio para uso. É só observar o aparecimento ou detectar o lacre violado, comprimido ou drágea quebrada ou esmagada, embalagem estufada, mudança na coloração ou aspecto do medicamento, formação de cristais nos líquidos etc.

Tudo isso é um alerta para médicos, enfermeiras e outros profissionais da saúde, que prescrevem remédios e indicam para que a sua compra seja efetuada nestes mercados. Porém, gostaria de lembrar que todo medicamento é fotosensível, isto é, não pode ser exposto ao sol, temperaturas elevadas, poeira e concentração nociva de lixo, porque senão o seu efeito terapêutico não será o desejado.

Vale lembrar que esta matéria não está vinculada a interesses políticos, mas sim como uma contribuição para a sensibilização do povo, para que o mesmo possa questionar o porque do governo ainda não tomar medidas preventivas ou a abolição destas práticas?

Uma resposta para “O Holocausto Silencioso em Angola

  1. Melhor dos blogs do 10º MINI… muita notícia e boas abas. Issaê! Só que não atualiza há dez dias… vamos lá, mais notícias!

    Também podia melhorar um cadím a estética do blog, as fontes variam muito de tamanho.

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